Conheça este Jogo: Damas
Durante a minha infância e parte da minha adolescência o tabuleiro de Damas foi à desculpa para passar a noite conversando com minha mãe e colegas da igreja (quando eu ainda a freqüentava), infelizmente não tenho mais um tabuleiro em casa, mas logo vou resolver isto, mas desta vez quero apresentar-lhes este divertido e simples jogo de tabuleiro.
Segundo o grande enxadrista Emmanuel Lasker, “o jogo de damas é a mãe do xadrez, e uma mãe digna”, embora não haja comprovação de que o xadrez foi originado do jogo de damas, mas digamos que para aqueles que queiram aprender o “raciocínio da movimentação tática” o jogo de damas é uma interessante introdução, tendo em vista que aparentemente é mais simples que o xadrez em termos de regras e táticas, embora não seja tão simplista quanto possa parecer à primeira vista.
A história do jogo de damas remete-nos aos primeiros relatos de sua existência, ainda no Egito antigo, onde arqueólogos encontraram tabuleiros e pinturas que remetiam a um ancestral do jogo de Damas. Muitos destes tabuleiros foram encontrados em câmaras funerárias onde estavam sepultados grandes generais e líderes militares do Antigo Egito. É sabido que a rainha Hatchetup (que viveu no início do século XV A.C.) era uma exímia jogadora de Damas, mas não gostava muito de ser derrotada, dizem que os hereges que fizessem isto acabariam carregando pedras no meio do deserto. Ainda hoje na região do deserto do Saara é praticada uma variante do jogo chamada de “Damma”.
Mas o jogo fez sucesso mesmo na região onde hoje existe a França, antes do início da Idade Média, onde o jogo era conhecido como “Fierges” e possuía regras bastante distintas do que conhecemos hoje.
O jogo de Damas passou a ser mais difundido em toda a Europa durante a Idade Média, período no qual recebeu a adição de suas principais regras, que até hoje vigoram nos grandes torneios internacionais.
No século XVI foram editados na Espanha os primeiros livros de que se tem notícia, contendo elementos teóricos já bastante desenvolvidos. Embora não exista nenhum exemplar guardado comprovadamente original, conhecido apenas por citação de outros autores, o primeiro livro editado acredita-se que deve ter sido “El ingénio ó juego de marro, de punto ó damas”, de Anton Torquemada, 1547, Espanha.
No Brasil o jogo de Damas, acredita-se, que foi introduzido na época do descobrimento, haja vista a sua grande popularidade na Europa durante este período.
Já durante o século XX a prática do jogo de Damas tornou-se internacionalmente organizada, com a criação da Federação Mundial foi fundada em 1948, sediada em Paris, França.
Aqui no Brasil, alguns anos antes começaram a surgir às primeiras publicações acerca do jogo, e as primeiras manifestações do jogo de forma organizada, o que aumentou em muito a sua popularidade. Os melhores relatos dos torneios realizados entre 1935 e 1940 estão registrados no livro “Ciência e Técnica do Jogo de Damas”, de autoria de Geraldino Izidoro e J. Cardoso.
Geraldino Izidoro é a maior referência em termos de jogo de Damas durante o seu início no país, sendo praticamente o seu patrono e maior divulgador, organizando torneios, editando livros, participando de demonstrações, levando o jogo a população que antes o desconhecia.
Mas infelizmente de 1940 até 1954, este movimento de popularização entrou em recesso, não havendo mais qualquer registro de torneios, livros ou qualquer evento ligado ao jogo. Até que no ano de 1954 o campeão da URSS em 1927, W. Bakumenko, mestre damista russo, radicado em São Paulo criou um núcleo de jogo.
Sabendo disto, Geraldino Izidoro o procurou e começou a gerar um forte intercâmbio entre os grupos do Rio de Janeiro e São Paulo, dando um novo impulso ao jogo aqui no Brasil. Bakumenko passou a escrever colunas acerca do jogo de Damas para diversos jornais, como a “Gazeta Esportiva”, incentivando também os seus discípulos a fazê-lo também, ainda escreveu dois livros: “Jóias do Jogo de Damas” e “Curso das Damas Brasileiras”.
Por sua vez Geraldino Izidoro também escreveu para jornais e lançou livros, continuou promovendo eventos e torneios, mas sua maior contribuição foi a sua colaboração na criação das federações de Damas de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.
Em 1967 foi organizado o maior campeonato de Damas que já ocorreu no Brasil, com 1009 participantes.
Mas infelizmente dois eventos atrapalharam um maior desenvolvimento do jogo de Damas no Brasil, o primeiro foi em 1967 quando a CBD (confederação brasileira de desportos), então presidida por João Havelange (aquele que foi presidente da FIFA), desfiliou da entidade que confederava todos os esportes amadores na época as federações de Damas por considerar o jogo uma mera recreação. A outra perca irreparável foi a morte de Bakumenko em 13 de maio de 1969.
Apesar disto, alguns meses após a desfiliação da CBD, foi criada em Niterói a Federação Brasileira de Damas, sendo organizado o primeiro campeonato brasileiro ainda em 1967, sendo que na primeira colocação houve um empate entre o paulista Humberto Olivarbo e o capixaba José Carlos Rabelo. Para decidir o título houve um match em que se sagrou o primeiro campeão brasileiro José Carlos Rabelo.
O Ministério dos Esportes somente voltou a considerar o jogo de Damas esporte, aqui no Brasil em 19/11/1988, mas o jogo já estava há muito enraizado no coração do brasileiro.
O Brasil tornou-se tão avançado no jogo de Damas que o último campeonato mundial feminino foi realizado aqui no Brasil, em Campinas-SP, onde duas brasileiras, Tatiane Maria Barbosa Oliveira e Ana Paula Araújo Brito participaram e conquistaram a 8ª e 9ª colocações, respectivamente.
Regras
Nas regras oficiais sancionadas pela Federação Mundial de Jogo de Damas, existem duas variantes do jogo, a de tabuleiro com 64 casas e a de 100 casas. Existem outras variantes muito jogadas mundo a fora, mas vamos falar das regras oficiais.
Para o jogo com o tabuleiro com 64 casas, que é a variante mais comum, o tabuleiro como dito possui 64 casas, claras e escuras, sendo que a grande diagonal deverá ficar sempre à esquerda de cada jogador. Já na outra variante o tabuleiro conta com 100 casas da mesma maneira do de 64 casas.
O jogo é disputado por dois oponentes, cada um com 12 pedras no tabuleiro de 64 casas e 20 pedras no tabuleiro de 100 casas, sendo que um joga com as pedras brancas e outro com as pretas, sendo o objetivo do jogo imobilizar ou capturar todas as peças do adversário. Sempre começará a partida o jogador que estiver utilizando as pedras brancas.
A última linha do tabuleiro é a chamada casa da coroação. Sempre que o jogador adversário atingir tal linha com uma de suas pedras ela se tornará uma Dama que é identificada com a sobreposição de uma pedra da mesma cor sobre a mesma.
As pedras sempre andam para frente e em diagonal apenas uma casa. A Dama pode movimentar quantas casas quiser em diagonal, mas não poderá saltar as pedras da mesma cor, caso elas estejam no seu caminho.
A captura de pedras é obrigatória, o jogador não pode escolher não capturar uma pedra. Caso haja duas pedras juntas numa diagonal a captura não é possível. Se no mesmo lance há mais de uma possibilidade de capturar pedras, o jogador deverá escolher a jogada em que forem possíveis capturar a maior quantidade possível. A Dama captura a pedra e a pedra captura a Dama, ambas, para o jogo, possuem o mesmo valor.
A pedra e a Dama podem capturar tanto para frente quanto para trás, uma ou mais peças. A Dama no último movimento de captura pode parar em qualquer casa livre na diagonal onde está capturando, assim sendo a Dama não é obrigada a parar na casa seguinte da última pedra capturada.
A pedra que durante o movimento de captura de múltiplas pedras passar pela casa de coroação e não parar nela não será promovida a Dama.
Na execução do movimento de captura de múltiplas pedras é permitido passar mais de uma vez por uma casa vazia, mas não é permitido capturar mais de uma vez a mesma pedra. As pedras somente poderão ser retiradas do tabuleiro após ser completo o movimento de captura.
É considerado empate quando:
- Após 20 lances (no tabuleiro com 64 casas) ou 25 lances (no tabuleiro com 100 casas) consecutivos de Damas de cada jogador não há captura de peças ou deslocamento de pedras.
- Após 5 lances de cada jogador quando há no tabuleiro: duas damas contra duas damas; duas damas contra uma dama; duas damas contra uma dama e uma pedra; uma dama contra uma dama e uma dama contra uma dama e uma pedra.
Fontes: Xadrez Regional, IDamas e Grow












